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Workshop sobre setor Têxtil e de Bebidas



19/02/2008

a Na manhã desta terça-feira (19/02), foi dado início ao segundo dia de workshops do Seminário “Uma Agenda de Competividade para a Indústria Paulista: Oportunidades de Desafios”, evento promovido pela Secretaria de Desenvolvimento de São Paulo em parceria com a Fiesp. Dentre os 26 setores da economia paulista estudados pelo Instituto de Tecnologia de São Paulo (IPT), os de bebida e têxtil foram os discutidos nesta manhã, contando com a presença de especialistas, empresários e interessados nessas áreas.

Ambos os eventos foram baseados na apresentação dos estudos e na discussão entre os presentes, levantando observações e sugestões à potencialização dos setores produtivos em questão.

O primeiro deles, apresentado pelo professor emérito da Faculdade de Economia e Administração da USP de Ribeirão Preto, Luiz Gulherme Scorzafane, procurou detectar o papel da indústria de bebidas paulista na estrutura econômica nacional e as possíveis soluções aos entraves de seu desenvolvimento. “O ramo das águas envasadas brasileiro [líquidos lacrados em garrafas] tem o seu nicho principal no Estado de São Paulo, o seu maior mercado consumidor. É fundamental, logo, que o setor mereça uma avaliação especial por aqui”, explicou o professor. “É absurdo que ainda tenhamos tantos problemas a resolver”, concluiu.

Entre os empecilhos detectados pela pesquisa, três são os mais emergenciais na opinião do professor: “a deficiência logística da infra-estrutura estadual, burocracia no patenteamento de fontes naturais e a ausência de políticas de estímulo aos pequenos produtores”, constatou. Outro obstáculo também levantado foi a monopolização do setor por multinacionais que diminuem o potencial exportador da indústria, principalmente as de refrigerante e cerveja. “Há um potencial de exportação, mas há grupos que determinam as marcas que serão importadas pelos seus países consumidores, através de pesquisas de consumidor e preferências nacionais. Para um pequeno produtor, logo, fica impossível introduzir uma marca em um setor de peixes grandes”, lembrou Paulo Rossi, analista econômico da Confederação da Indústria Nacional (CNI).

Um dado interessante também relacionado ao setor de cervejas é a constatação de que a diminuição de verba publicitária da indústria de bebidas alcoólicas pode diminuir os seus preços e, logo, aumentar a sua porcentagem de venda. “Hoje, a publicidade nesse meio corresponde a aproximadamente 30% dos gastos totais de produção”, esclareceu o professor.

Outro importante gênero de bebida que recebeu atenção especial durante o evento foi a aguardente de cana, ou cachaça. O produto de patente nacional muitas vezes tem sido rechaçado pelo mercado exterior pela ausência de um certificado de qualidade, que ateste a presença de um controle sanitário sobre a sua produção. Seguindo o exemplo do Estado de Minas Gerais, que organizou o setor e fomentou o seu desenvolvimento, o professor Scorzafane sugeriu a criação de um selo estatal de autenticação da cachaça paulistana, além de sugerir uma política de estímulo fiscal aos pequenos produtores que diminua a informalidade do setor. Perguntado se havia perigo de queda na produção da cachaça, em contrapartida ao avanço do biocombustível provindo da cana, o professor foi enfático: “Não, os nichos são diferentes e a aguardente se manterá no mercado”.


O Setor Têxtil

O segundo workshop do dia abordou as condições atuais da indústria têxtil, que vem sofrendo retração devido à importação em grande escala dos produtos chineses, de baixo valor agregado. Ministrado pelo pesquisador Armênio Rangel, professor da Faculdade de Economia e Administração da USP , o evento contou com a presença de especialistas e industriais da área, interessados em discutir soluções à retomada do desenvolvimento no setor. O estudo procurou identificar os motivos infra-estruturais e comerciais da crise pela qual passa a indústria e as suas resoluções.

Segundo o professor, o setor têxtil e de vestuário vêm passando por transformações intensas. A concorrência doméstica em grande escala é conseqüência da impossibilidade de disputa do produto no exterior, levando os industriais a procurarem outros estados brasileiros onde o setor ainda é fraco e existe uma política de incentivo fiscal. Dados da pesquisa indicam que, entre 1996 e 2005, houve uma redução de 0,78% no número de indústrias têxteis presentes no Estado de São Paulo. “Se algo não for feito, nós seremos obrigados a importar a maior parte das malhas que consumimos”, alertou Armênio Rangel.

Entre as soluções sugeridas pela pesquisa, a elevação das taxas protecionistas nacionais até o limite de 35% ao setor vestiário e a redução da tarifa do Imposto de Comercialização de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS) foram as mais aplaudidas pelos presentes. Os industriais ainda sugeriram o incentivo em crédito aos pequenos produtores de algodão e o financiamento às pequenas e micro empresas de confecção. “São Paulo tem a vantagem competitiva de estar próximo ao mercado tanto nacional como internacional. É essencial que tudo o que tenha sido discutido aqui seja efetivado”, declarou Ricardo Vaz, presidente da indústria Santista Têxtil.

Um dos exemplos de boa gestão e sucesso no setor, sugerido pelo professor Rangel como “o provável futuro da indústria têxtil”, é o Arranjo Produtivo Local (APL) de Americana, conjunto de 700 empresas têxteis do interior paulista localizadas em um mesmo território, que apresentam especializações produtivas. Os Arranjos Produtivos Locais (APLs) são sistemas locais de produção (clusters), aglomerações regionais de empresas que atuam em atividades similares ou relacionadas. Essa iniciativa conta com o apoio da Secretaria de Desenvolvimento do Estado de São Paulo, que atua em conjunto com o Sebrae e a FIESP. O objetivo desses arranjos é de que empresários – de qualquer porte- se fortaleçam no mercado competitivo. Entre os últimos protocolos com a Secretaria, se destacam os assinados com a Sinditêxtil e com Caixa Econômica Federal.

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Governo do Estado de São Paulo
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