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USP testa alternativas para tratamento de esgoto



25/02/2011

Estudo utiliza tanques que abrigam plantas aquáticas e micro-organismos

Com o aumento da população e o processo crescente de urbanização, a falta de saneamento básico adequado nas cidades tem sido bastante discutida, principalmente nos períodos de maior intensidade de chuvas, quando os problemas se tornam mais graves. Na tentativa de encontrar soluções para resolver esse problema, diversas pesquisas se dedicam ao estudo de alternativas para o tratamento do esgoto. Esse é o caso de um estudo empreendido na Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) da Universidade de São Paulo (USP), com o objetivo de avaliar a eficácia de uma técnica natural de tratamento do esgoto.

Desenvolvido pela equipe coordenada pelo professor Marcelo Nolasco, o estudo pós-tratamento de esgotos por banhados construídos se baseia na utilização de “wetlands” (banhados artificiais). Os wetlands são tanques preenchidos com a areia e cascalho ou outros materiais que possam servir de meio suporte ao crescimento de plantas aquáticas (macrófitas). Nesse sistema, diversos processos biológicos promovem o tratamento das águas residuárias com o auxílio de populações de micro-organismos que se desenvolvem na zona das raízes das plantas e no meio filtrante.

Segundo o professor Nolasco, o relato mais antigo de utilização desse sistema veio de um estudo de 1953, desenvolvido no Instituto Max Planck, uma organização alemã. O uso dos wetlands construídos surgiu a partir da observação de que o sistema era eficiente na remoção de poluentes químicos e de patógenos, pois a água que entrava poluída nesses banhados saía com melhor qualidade. “O sistema servia para reter os poluentes”, afirma.

Outras vantagens apontadas por Nolasco se referem ao custo e aos benefícios ambientais desse sistema. Por utilizar materiais de baixo custo e que não precisam ser transportados por longas distâncias, são alternativas economicamente viáveis. Sob o ponto de vista ambiental, os wetlands possuem capacidade de suportar variações de vazão de água, o que é muito importante nos dias de precipitação intensa. Proporcionam uma riqueza de organismos que ali convivem, favorecendo a biodiversidade. “É um sistema que se integra à paisagem natural, utilizando plantas da própria região onde é implementado”, explica o professor.

Sobre o projeto de pesquisa
De acordo com Nolasco, a ideia de trabalhar com o sistema de wetlands na EACH surgiu da necessidade de criar uma nova estrutura para que os alunos pudessem realizar estudos na área de tratamento de águas residuárias, favorecendo a pesquisa na graduação. O estudo foi realizado com Vitor Cano, bolsista da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e recém-formado pelo curso de gestão ambiental da EACH, que desenvolveu o projeto como parte de seu trabalho de conclusão de curso. A estrutura há pouco implementada permitirá o desenvolvimento de novos estudos e o fortalecimento das ações de sustentabilidade dos campi da USP.

Os sistemas de wetlands foram selecionados por serem alternativas tecnológicas sustentáveis, robustas, de forma a atender a necessidade de ampliação do conhecimento por tecnologias descentralizadas de tratamento de esgotos no Brasil. Em diversos países é uma tecnologia em amplo desenvolvimento, no entanto, relativamente pouco desenvolvida no país. “É um sistema que pode ajudar a diminuir o alto déficit existente no Brasil com o tratamento de esgoto”, diz Nolasco.

Durante 2010, a infraestrutura foi implementada e os sistemas começaram a ser abastecidos com o esgoto da própria EACH. Basicamente, foram construídas três unidades com características diferentes. As unidades foram planejadas e submetidas a diferentes configurações construtivas e operacionais para se avaliar a melhor relação custo-benefício. Em uma delas, o volume do meio suporte (areia e pedregulho) consiste no dobro da outra. Em outra unidade, o fluxo de água é horizontal, diferenciando-se das demais de fluxo vertical e assim por diante. Dessa forma, será possível avaliar o comportamento de cada uma das unidades na remoção de poluentes químicos e biológicos, associados a cada configuração.

A princípio, um dos objetivos da pesquisa era obter informações sobre as modalidades de reúso adequadas para a água residuária tratada. Até o momento, os estudos apontam bons indicadores, principalmente para os índices de nitrogênio e de sólidos suspensos. A partir dos resultados dos estudos em andamento, espera-se que o projeto obtenha novos recursos junto às Agências de Fomento e na iniciativa privada, de forma ampliar o escopo do estudo e o retorno à sociedade com soluções apropriadas.

Segundo o pesquisador Vitor Cano, que auxiliou o professor durante todo o projeto, o que chamou a atenção na pesquisa foi o estudo sobre saneamento descentralizado, área que ele achou interessante e a qual pretende continuar estudando. De acordo com Nolasco, considerando o caráter multidisciplinar do projeto, o próximo passo é atrair alunos das áreas de biologia, engenharia ambiental, engenharia civil, arquitetura, química, entre outros, para juntos, aperfeiçoarem os projetos a partir do sistema já construído. “No futuro pretendemos atrair novos alunos de graduação, da pós-graduação, pós-doutorandos e montarmos um parque demonstrativo de soluções para o tratamento de águas residuárias”, completa.

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Governo do Estado de São Paulo
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