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Unicamp abriga Vale do Silício brasileiro



29/05/2012

Referência na cena startup americana, o acadêmico e empreendedor de tecnologia Vivek Wadhwa visitou Campinas há dois meses, ficou encantado com o que viu e ouviu e, na volta, publicou no "Washington Post" a coluna "Brasil: o lar do próximo Mark Zuckerberg?".

No texto, comparou o entorno da Unicamp com o Vale do Silício, na Califórnia. "Os empreendedores que encontrei lá eram tão inteligentes e motivados quanto os empreendedores que encontro no Vale", diz à Folha o vice-presidente da califoniana Singularity University, também professor das universidades Berkeley e Duke. "E estavam fazendo 'network', ajudando uns aos outros, como fazem as startups daqui [EUA]. Foi isso que me impressionou e por isso estou tão otimista com o Brasil."

Horacio Poblete, da startup (empresa iniciante) Ledface, foi um dos que se encontraram com Wadhwa. Ele diz que, mais que um polo tecnológico, como são também outras cidades do país, "o mais interessante aqui é que se chama de carma bom, que é talvez a maior característica do Vale do Silício".

No entorno de dez quilômetros da Unicamp, o "ecossistema" reúne startups, investidores-anjos (executivos que acumularam capital e experiência e os dividem com os novos) e três parques tecnológicos. Semanalmente, as 25 empresas hoje na associação Campinas Startup, criada por Poblete e outros, se reúnem para troca de informações e "peer pressure", pressão dos pares, "um pressionando positivamente o outro a alcançar objetivos".

SANGUE NO MAR

A maioria tem formação ou "algum vínculo" com a universidade, onde se desenvolvem as inovações em que as empresas e os investidores apostam.

No caso da Ledface, desde o final de 2011, é um serviço on-line com respostas à maneira do Yahoo! Answers ou do Quora, mas criadas a partir da "inteligência coletiva" da internet. Premiada na Brasil, a startup ecoou mundo afora, do "Le Monde" ao site "The Next Web".

Na ponta dos investidores, Alexandre Neves, que vendeu sua empresa há dois anos a um grupo estrangeiro, se dedica agora à Inova Ventures Participações, criada por ex-alunos da Unicamp, hoje empresários. A IVP atua de forma semelhante a um fundo de venture capital (participação em empresas iniciantes) e já possui 48 investidores.

Outro ator na cena de Campinas é a agência Inova Unicamp. Seu diretor, Roberto Lotufo, relata que a área de atuação vai do depósito de patentes das inovações da universidade ao estímulo à parceria com empresas. Está erguendo um parque científico no próprio campus, com os prédios em construção para abrigar sua incubadora de startups, um laboratório da Cameron do Brasil e outro, federal, o Laboratório de Inovação em Biocombustíveis.

"O mais importante é o chamado ecossistema de inovação", diz Lotufo. "A Unicamp é um ator preponderante. Com as empresas ao redor, com as startups que estão sendo criadas, os laboratórios, isso tudo cria um ambiente fértil." Lista ainda o parque tecnológico do CPqD, antigo centro de pesquisas da Telebrás, modelado no Bell Labs, e o Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.

Poblete diz que o vínculo com o Vale do Silício, através de seus fundos de venture capital "já está começando".

Wadhwa, que é de lá, avisa que "VCs vão onde a inovação está". "Se o Brasil continuar a realizar progressos como vem fazendo, os VCs virão em seguida. Eles são como tubarões que cheiram sangue. E acredito que haverá um bocado de sangue no Brasil."

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