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Unesp desenvolve pesquisa sobre educação matemática e inclusão



05/01/2015

Fonte: Universidade Estadual Pauista "Júlio de Mesquita Filho"

O ensino das crianças com deficiência há anos está amparado pela legislação, mas nem sempre há qualquer preparação para os professores e as escolas aprenderem a lidar com esses alunos. Mesmo com o termo inclusão ganhando destaque e amparo legal, ainda há muito a avançar para que esse processo resulte em uma verdadeira interação e aprendizagem.

A Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (Unesp) de Rio Claro desenvolve várias pesquisas sobre educação especial. Algumas delas são realizadas por integrantes do Grupo Épura (Grupo de Estudo e Pesquisam em Educação Matemática Inclusiva), que tem como foco a formação de professores para o ensino e a aprendizagem de matemática de pessoas com deficiência.

O grupo é coordenado pela professora doutora docente adjunta do Departamento de Matemática do IGCE (Instituto de Geociências e Ciências Exatas), Miriam Godoy Penteado.  Os integrantes são provenientes dos cursos de graduação e pós-graduação da universidade e professores da escola básica. O Épura também conta com a colaboração do professor doutor Ole Skovsmose, que orienta pesquisas sobre educação matemática e inclusão

Miriam explica que o Épura se constitui de várias pesquisas de mestrado e doutorado sobre a educação matemática inclusiva que envolvem diferentes tipos de deficiência como surdez, cegueira, autismo, entre outras. Também há pesquisas em andamento sobre atendimento especializado em escolas regulares; programas de apoio em matemática para alunos que ingressam em curso superior por meio de ações afirmativas, como as cotas; e estudantes em situação de risco atendidos por instituições.

Uma dessas pesquisas foi finalizada no ano passado por Elielson Ribeiro Sales para sua tese de doutorado. “A Visualização no Ensino de Matemática: Uma Experiência com Alunos Surdos” investigou a contribuição da visão para o ensino e aprendizagem de matemática de alunos surdos. O estudo foi realizado em uma escola pública de Rio Claro. O pesquisador concluiu que para melhor eficiência na aprendizagem, é preciso oferecer ao aluno surdo atividades pensadas e desenvolvidas para ele. Além disso, a comunicação deve ser feita em sua língua de domínio, a Libras (Língua Brasileira de Sinais).

A pesquisa de mestrado de Lessandra Marcelly, denominada “As Histórias em Quadrinhos Adaptadas como Recurso para Ensinar Matemática para Alunos Cegos e Videntes”, analisou o processo de construção e adaptação de uma história em quadrinhos em matemática para alunos cegos e videntes. O estudo resultou na criação de uma História em Quadrinhos Adaptada (HQ-A) sobre o Teorema de Tales que pode ser lida por qualquer leitor. A meta da pesquisadora é que a revista seja impressa em braile para ser usada como recurso de ensino em sala de aula.

Esses dois estudos são exemplos do trabalho que vem sendo desenvolvido pelos integrantes do Grupo. Pesquisadora da educação inclusiva desde 2006, Miriam ressalta o crescimento da demanda por estudos relacionados ao tema desde que as crianças com deficiência começaram a ser inseridas no ensino regular. Frente a isso, foi preciso responder ao questionamento dos educadores sobre como trabalhar com os alunos com deficiência em sala de aula. Ela lembra que no início havia pouca literatura sobre o assunto e as pesquisas eram escassas mesmo fora do Brasil. Hoje, felizmente, a situação mudou. Existem grupos de estudo sobre inclusão em várias regiões do Brasil e no exterior.

Mas o campo de atuação do Épura não se resume apenas a pesquisas. O grupo dá suporte para uma disciplina optativa do curso de graduação em Matemática que trata de inclusão e apoia atividades de extensão. “Essa disciplina admite estudantes de outros cursos em regime especial, mesmo não sendo alunos da Unesp”, destaca Miriam. Além disso, o Grupo Épura já trilhou o caminho do ensino a distância. Os pesquisadores realizaram um curso on-line de extensão sobre o tema com participação de pessoas de várias partes do Brasil. A meta é repetir o curso neste ano.

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