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07/03/2007

Uma pesquisa simples, com pouco investimento e bem brasileira ganhou o primeiro lugar no XXII Prêmio Jovem Cientista, na categoria graduados, que acaba de ser anunciado hoje, 6 de março, em Brasília. O trabalho "Uso da casca de banana para tratamento de efluentes radioativos" faz parte do projeto de mestrado de Milena Rodrigues Boniolo, que desenvolve sua pesquisa no Centro de Química e Meio Ambiente do Ipen, orientada por Mitiko Yamaura.

Este ano o tema da premiação, iniciativa do CNPq, Grupo Gerdau, Eletrás/Procel e Fundação Roberto Marinho, é "Gestão sustentável da biodiversidade: desafio do milênio". O estudo de Boniolo integra a linha de pesquisa que utiliza biomassa residual para tratamento de efluentes contaminados. A idéia de utilizar a casca de banana para remover poluentes partiu da jovem paulistana, de 25 anos, que preparou as amostras em casa e trouxe para testá-las no laboratório, no Ipen. Em casa, conta ela, era proibido jogar cascas de banana no lixo.

As cascas foram cortadas em pedaços pequenos e secas, sob ação do sol. O material foi moído em um processador de alimentos e separado utilizando-se peneiras granulométricas, de diferentes tamanhos. O pó obtido foi colocado em soluções contendo íons de urânio e o índice de remoção chegou a 65%. O procedimento pode ser repetido para percentuais maiores de remoção. O processo chamado de adsorção permite que íons de urânio, com carga positiva, se combinem com as partículas de casca de banana, com carga negativa. Quanto menor o tamanho do adsorvente, maior a área de superfície, o que significa melhor percentual de remoção.

Os experimentos foram realizados em temperatura ambiente, entre 23 e 27 graus Celsius. As soluções contendo urânio foram agitadas durante tempo pré-estabelecido e melhores resultados foram obtidos com 40 minutos de contato entre o adsorvente e o adsorvedor. O processo apresenta baixo custo e envolve material natural, abundante e biodegradável, explica a pesquisadora. "Estamos reduzindo impacto ambiental duplamente, porque o que seria desperdiçado passa a ser utilizado de forma nobre", destaca.

O Brasil é um dos maiores produtores e consumidores mundiais de banana, com seis milhões de toneladas de produção anual. Além das perdas agrícolas, que atingem de 20 a 40% da produção, ocorrem perdas na etapa de comercialização, estimadas em torno de 40%.

Na produção de fertilizantes, essenciais à agricultura, por exemplo, são gerados sub-produtos contendo urânio e tório. Efluentes contendo outros metais pesados também podem ser tratados pelo processo. Para a orientadora, Mitiko Yamaura, que pesquisa várias biomassas para tratamento efluentes contaminados, o baixo custo do projeto e a sustentabilidade são os méritos da pesquisa. Yamaura orienta estudos utilizando, por exemplo, bagaço de cana-de-açúcar, fibras de coco, quitosana (material proveniente do exoesqueleto de crustáceos). Alguns deles receberam premiações. O Jovem Cientista é um dos mais importantes prêmios da área de C&T.

Milena Boniolo pretende investir na mesma linha de pesquisa no seu doutorado. Ela pensa em desenvolver, a partir da casca de banana, um filtro para reter os poluentes. "A idéia é desenvolver um projeto piloto, algo bem simples, e até, quem sabe, investir na capacitação de comunidades locais para a utilização do processo. Sou fã de Albert Einstein e ele dizia que a solução das coisas está na simplicidade", conclui a química, formada em 2004 pelas Faculdades Oswaldo Cruz, em São Paulo, que ingressou no programa de pós-graduação em Tecnologia Nuclear do Ipen em março de 2005. Sua dissertação de mestrado deve ser defendida no primeiro semestre deste ano.

A premiação deve ser entregue em abril pelo presidente da República Luís Inácio Lula da Silva. O resultado do prêmio Jovem Cientista em todas as categorias pode ser acessado no site .

Fonte: Assessoria IPEN

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