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Poluição lucrativa



22/01/2007

O anúncio de que a União Européia (UE) utilizará, até 2020, 20% de sua energia proveniente de fontes renováveis gerou entusiasmo e receio. O Brasil é, hoje, um dos principais fornecedores de álcool combustível no mundo. Mas o aumento da demanda vem acompanhado de preocupação ambiental. O cultivo de cana-de-açúcar, matéria-prima utilizada na fabricação do biocombustível, traz o problema do que fazer com seus resíduos - palha e bagaço de cana - que hoje são queimados gerando enorme poluição. Existem cidades, como Ribeirão Preto e Piracicaba, grandes produtoras de cana, em que os índices de doenças pulmonares chegam a superar os da cidade de São Paulo. Assim, se por um lado a medida reduz as emissões de gás na Europa, poderá aumentá-las no Brasil.

O IPT procura antecipar-se na busca de uma solução para o problema. Desde 2002, em parceria com a empresa Raudi Energia Tecnologia em Combustíveis Limpos Ltda, pesquisadores do Instituto desenvolveram um equipamento capaz de aproveitar o bagaço e palha da cana para geração de biodiesel. O gaseificador de bagaço de cana, como é chamado, com algumas alterações, seria capaz até mesmo de “aumentar a produção de álcool, quase dobrar, sem aumentar em um milímetro a área de cana plantada", segundo Ademar Hakuo Ushima, pesquisador envolvido no projeto. Mas os técnicos optaram pela produção de metanol, devido às vantagens de poder ser utilizado como combustível renovável, além de entrar na composição do biodiesel, em algumas concepções de célula combustível e até na produção de plástico.

Ushima explica que o biodiesel tem como principais componentes o óleo vegetal ou gordura animal, um catalisador e o metanol. Porém, este último é hoje obtido a partir do gás natural, “o que faz do biodiesel um combustível não 100% renovável”, conclui. Porém, com o metanol sintetizado a partir da palha e do bagaço de cana, além do combustível se tornar completamente renovável, resolve-se o problema da emissão de CO2 com a queima da palha de cana. As cinzas geradas no gaseificador podem ser utilizadas como adubo e o gás, antes de tornar-se metanol, também pode ser utilizado na fabricação de ferro, diminuindo a poluição que surge no uso do alto forno.

Ushima alega que com o preço de venda atual do metanol, $ 550,00 a tonelada, a fabricação através deste processo se torna viável, já que o custo de produção desta mesma tonelada (inclusos impostos) é de aproximadamente $ 500,00. O pesquisador ainda acrescenta que por se tratar de combustível limpo, ele pode ser vendido até mesmo a um preço acima do mercado, já que as empresas que o utilizarem se valerão do título de ambientalmente responsáveis, além de ajudar na obtenção de créditos de carbono. Ele acredita que dentro de cinco anos o gaseificador estará à venda, mas no momento, necessitam de financiamento, privado ou público, para a instalação da unidade de demonstração, que já será capaz de gerar cinco toneladas de metanol por hora.

Ushima reconhece que a margem de lucro ainda é pequena, mas faz uma ressalva importante. “O prazo para implantar combustíveis renováveis é cada vez menor. Gerar tecnologias para reduzir o efeito estufa e demais males é bastante demorado, por esta razão é importante começar a investir nisso agora, mesmo que com maior risco (financeiro), do que chegar numa situação climática grave e não ter alternativa”, alerta o pesquisador.

A proposta da EU
A estratégia de recorrer a combustíveis renováveis, anunciada pela Comissão Européia em janeiro (10), tem como objetivo minimizar os impactos da mudança climática e reduzir a dependência de petróleo, que tem gerado crises provenientes de algumas interrupções de fornecimento devido às instabilidades políticas do Leste Europeu. A proposta sugere redução de 20% nas emissões de gases do efeito-estufa até 2020, e a união anuncia que até este ano 20% de toda a energia utilizada no bloco deve vir de fonte renovável e 10% dos veículos devem usar biocombustível.

A medida ainda precisa da aprovação dos mercados europeus e pode servir de base para um acordo em substituição ao Protocolo de Kyoto.

Fonte: Site IPT

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