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Pesquisadores criam processo para enriquecer ligas de ouro



21/02/2014

Fonte: UNESP

O ouro, devido à sua boa condutividade elétrica, resistência à corrosão e boa combinação de propriedades físicas e químicas é muito empregado, não só na fabricação de joias e moedas, mas também em aplicações industriais. Quando aplicado em segmentos de componentes eletrônicos, aviônicos, instrumentação ou equipamentos hospitalares, o ouro não é utilizado no estado puro, pois o ouro puro é muito maleável, geralmente o material passa por um processo de endurecimento formando ligas metálicas com prata e cobre.

Buscando unir as melhores características proporcionadas por ligas de diferentes matérias em um mesmo componente, pesquisadores da Unesp desenvolveram um processo químico de enriquecimento de ligas de ouro. A tecnologia desenvolverá uma camada superficial de ouro puro que acrescentará à superfície do componente as características de elevada resistência à corrosão e elevadas condutividades térmica e elétrica. 

A criação desse processo de enriquecimento foi tema da dissertação de mestrado do pesquisador Aluisio Pinto da Silva sob orientação do professor Tomaz Manabu Hashimoto da Faculdade de Engenharia (FE) da Unesp de Guaratinguetá. 

Por meio de ataques químicos, o processo retira elementos da camada superficial da liga distinguindo-a das camadas interiores. Segundo Silva: Sabemos que em ligas de ouro com composição de 75% Ouro, 12,5% Prata, 12,5% Cobre podemos obter camadas com espessuras maiores que 20μm onde a composição foi alterada para 100% de Ouro.”, explica o pesquisador. “Estas composições diferentes permitiriam o componente ter características como boa resistência mecânica e alta condutividade elétrica, boa elasticidade mecânica e resistência à corrosão, etc...”, completa Silva. 

Já foram realizados ensaios em laboratório que demonstraram com sucesso o enriquecimento de ligas. O pedido de patente do processo foi depositado pela Agência Unesp de Inovação (AUIN). “Procuramos despertar interesse em empresas ou grupos de pesquisa para que prossigam pesquisando no desenvolvimento do processo e nos campos aplicação do mesmo“ Completa Silva sobre suas expectativas para ao invento. Para mais informações: auin@unesp.br

Como começou a pesquisa com processamento de ligas de ouro

Aluisio Pinto da Silva conta: “Meu interesse por pesquisar tecnologias de processamento de ligas de ouro é de longa data, desde os tempos de faculdade pensava em pesquisar esses processos, mas comecei trabalhar objetivamente em 1988” O que despertou no pesquisador o interesse por esse segmento foi conhecer peças de joalheria de povos antigos como os Etruscos ou como os que habitavam a América do Sul. Estes povos obtinham peças com detalhes de acabamento difíceis de serem obtidos, mesmo com as tecnologias atuais. 

Silva conta: “Até criei uma oficina em minha própria residência onde fazia essa pesquisa isoladamente, como hobby. Importei livros e revistas técnicas que abordavam estes processos e também comprei, projetei e confeccionei equipamentos para fundição por cera perdida, equipamentos para fundir e produzir ligas com composições projetadas, laminar, trefilar, soldar etc..” 

Porém o pequeno laboratório de pesquisa em sua própria casa não foi suficiente para continuar a pesquisa, na época, ainda faltavam equipamentos caros como equipamentos de micrografia, microscópios, etc.. Então em 1999 pesquisador procurou a Unesp, buscando reencontrar o Professor Tomaz Manabu Hashimoto que deu apoio e incentivo ao projeto. 

Em 2001 como aluno regular de mestrado veio a possibilidade de acesso aos laboratórios da FE-Unesp, o que ampliou as possibilidades de pesquisa. 

Silva conta: “Por coincidência, na época, uma casa de minha propriedade foi desocupada pelo inquilino, então mudei todos os apetrechos de meu “laboratório” para lá. Passei, então, me dedicar integralmente ao meu mestrado. Fazendo os ensaios em meu “laboratório” e avaliando os resultados nos laboratórios da Unesp e do CTA.” 

A proposta do mestrado era selecionar a melhor forma de se aplicar o processo e mensurar as características da camada obtida: composição e espessura. Porém, durante os ensaios que eram, todos, muito demorados foram surgindo ideias para se acelerar o processo e algumas delas foram aplicadas com êxito. Para não desviar o foco da dissertação estas idéias foram registradas, mas, não pesquisadas mais profundamente, e agora são apresentadas nesse novo processo patenteado pela Agência Unesp de Inovação - AUIN.

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