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Pesquisa sobre o som no cinema mostra crescimento acadêmico da área



10/03/2014

Fonte: Rúvila Magalhães / USP
 
A produção acadêmica sobre o som no cinema vem crescendo entre os estudos sobre cinema e audiovisual no Brasil. É o que aponta a dissertação de mestrado de Bernardo Marquez Alves, desenvolvida na Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP. A pesquisa analisou e traçou um perfil da produção acadêmica sobre o tema, considerando aspectos como tendências temáticas, local de produção, disponibilidade de orientadores, multiplicidade temática, locais de publicação e quantidade aproximada de pesquisadores. O autor do trabalho também conseguiu perceber uma forte integração entre o trabalho acadêmico e a prática no mercado audiovisual.

A pesquisa Os estudos do som no cinema: evolução quantitativa, tendências temáticas e o perfil da pesquisa brasileira contemporânea sobre o som cinematográfico, orientada por Eduardo Simões dos Santos Mendes buscou mapear, discutir e analisar o lugar ocupado pela pesquisa brasileira sobre o som no cinema. Foi realizado um levantamento bibliográfico e criada uma base de dados com livros, teses, dissertações e artigos acadêmicos sobre o assunto. Os dados foram organizados em formato de site, o Artesãos do Som, “com o objetivo de ampliar os resultados, garantir a continuidade da pesquisa e facilitar o acesso aos dados e informações encontradas”, explica Alves.

O estudo abarcou somente material publicado entre 2001 e 2011 no Brasil, e escrito em língua portuguesa. Segundo o pesquisador, os estudiosos da área musical e músicos propriamente ditos devem ser responsáveis por tratar da trilha musical, por isso a opção de não investigar trabalhos relacionados apenas à trilha musical. “Aproveitando para salientar uma questão já muito comentada, mas mesmo assim importante de ser reforçada, sobre o fato de no Brasil existir um hábito cultural de remeter o termo ‘trilha sonora’ a apenas a música do filme, ou seja, a trilha musical”, justifica. O pesquisador considera como trilha sonora elementos como voz, ruídos e silêncio.

Foi concluído na pesquisa que o som cinematográfico não pode ser considerado um tema periférico nos estudos de cinema e audiovisual visto que a produção de material vem evoluindo. “No Brasil, o hábito e o interesse dos pesquisadores e profissionais do som em estudar teoricamente o seu campo de atuação vêm aumentando e, consequentemente, o surgimento de novos documentos e materiais redigidos cresce em um fluxo até então inédito”, relata.

Categorias

Para estudar as tendências temáticas o autor criou categorias e dividiu a produção escolhida para análise dentro delas. As categorias foram: História, Tecnologia, Percepção Sonora, Processo de Criação, Elementos da Trilha Sonora, Estética e Estilo, Estudo da Voz, Estudos do Ruído, Estudos do Silêncio , Teoria e Estudos de Caso. É recorrente a aplicação desses estudos em um filme ou na obra de um cineasta específico. Estudo de caso foi considerada a temática mais ampla e História é a única temática que possui materiais em todos os formatos estudados (livro, teses, dissertações e artigos).

A dissertação mapeou o perfil da pesquisa brasileira sobre o assunto. Nove universidades foram responsáveis por cinco teses de doutorado e vinte e uma dissertações de mestrado, sendo que entre essas universidades, oito estão localizadas no sudeste e uma na região sul. A USP foi a universidade com mais trabalhos: duas teses e quatro dissertações. Essas pesquisas enquadram-se em três áreas: Comunicação, Artes (artes/música) e Fonoaudiologia, sendo que a maioria delas está na área da Comunicação.

“Após analisar os programas de pós-graduação onde as teses e dissertações levantadas foram pesquisadas, percebeu-se no Brasil uma carência na quantidade de orientadores relacionados ao campo específico dos estudos do som cinematográfico”, explica o pesquisador. No entanto, a multiplicidade de temas oferecida pelos programas de pós-graduação comprova a qualidade interdisciplinar e flexibilidade do campo.

Dentre os locais de publicação, destacam-se a Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual (Socine), que refletem os encontros nacionais dessa sociedade, e a Revista Ciberlegenda, que em 2011 dedicou a edição número 24 inteiramente ao tema. Quanto ao número de pesquisadores, ele chega a um total de cinquenta e um, sendo que quem mais publicou foi o professor Fernando Morais da Costa, da Universidade Federal Fluminense, com um livro, uma tese, uma dissertação e doze artigos.

O trabalho reúne informações sobre o tema e proporciona uma ampla fonte de auxílio para estudos nacionais sobre o som no cinema. Além disso, o estudo rompe com alguns mitos e mostra que o assunto não é tão pouco estudado quanto se acredita. A reunião desse material proporciona o surgimento de novas ideias, pontos de partidas, projetos, discussões e análises.

Mais informações: email bernamarquez@usp.br

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