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Pesquisa do Ipen usa membranas de hidrogel para tratamento de leishmaniose cutânea



16/03/2015

Fonte: Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares

Em 2011 leishmaniose cutânea atingiu 7,3 mil pessoas na Região Norte, 5,2 mil no Nordeste e 986 no Sudeste (Ana Paula Freire/Ipen)Estudos envolvendo uma membrana de hidrogel podem revelar uma solução menos traumática e mais barata para quem sofre com feridas causadas pela leishmaniose cutânea.

Como a doença afeta especialmente os que vivem nos países mais pobres, há uma importante vantagem nesse método: o tratamento é de baixo custo.

O recurso é apontado pela pesquisa da doutora em Ciência com ênfase em Tecnologia Nuclear de Materiais, Maria José Alves de Oliveira. Ela foi orientada pela especialista em polímeros do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), doutora Duclerc Fernandes Parra. Os hidrogéis foram desenvolvidos no Ipen-USP, com bolsa Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

A pesquisadora explica que a curiosidade no assunto surgiu quando encontrou relatos sobre os problemas enfrentados por pacientes devido à toxicidade do antimoniato, droga utilizada no tratamento de leishmaniose. O produto é usado de forma injetável e, quando cai na corrente sanguínea, provoca arritmia cardíaca, disfunções renais, entre outros efeitos colaterais.

No estudo, as membranas de hidrogel são fabricadas para o uso tópico das feridas de Leishmania– protozoário que transmite a doença –, o que evita o contato do fármaco na corrente sanguínea e, consequentemente, diminui os efeitos colaterais.

"O hidrogel tem a forma de uma gelatina com 80% de água e só 20% de polímero. É uma membrana hidratante, macia, flexível, que isola o ferimento do contato externo com micro organismos e libera o fármaco lentamente diminuindo o risco de toxicidade”, relata a pesquisadora.

Dados do Ministério da Saúde revelam que no ano de 2011 a leishmaniose cutânea atingiu 7,3 mil pessoas na Região Norte, 5,2 mil no Nordeste e 986 no Sudeste. Esse é um dos motivos pelos quais o doutor em Doenças Infecciosas e Parasitárias, pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), Valdir Sabbaga Amato, considera o estudo um avanço no tratamento.

"As doenças negligenciadas como a leishmaniose cutânea precisam cada vez mais da participação das universidades e centros de pesquisa governamentais, que são fundamentais para inovação tecnológica”, ressalta.

Dr. Amato foi o co-orientador da doutora Maria José na pesquisa e avalia que o intercâmbio de conhecimentos pode trazer grandes avanços para o combate à doença.

"A dra. Maria José possuía a membrana, e nós possuíamos a expertise do tratamento. Foi um ‘casamento’ perfeito”, celebrou. Apesar de não ter sido testado em humanos, o estudo obteve resultados satisfatórios em camundongos. De acordo com a doutora Maria José, o próximo passo será o teste em pessoas acometidas pela doença.

"Depois de o estudo passar pelos humanos, a membrana de hidrogel poderá ser um tratamento alternativo adotado no País”, explicou.
 
Prêmio
Dada a relevância do estudo e os resultados obtidos até o momento, o trabalho recebeu o Prêmio Capes de Tese 2014 da área de Engenharias II. Para a pesquisadora, o reconhecimento vai permitir novos estudos com o tema. "Esse prêmio foi muito importante. Além do reconhecimento do trabalho, com a bolsa do prêmio veio a garantia de continuar fazendo o que mais gosto, que é pesquisar”, comemorou.

Sobre o Ipen
Localizado no campus da Universidade de São Paulo (USP), o Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen) é uma autarquia vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação do Governo do Estado de São Paulo e gerida técnica e administrativamente pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), órgão do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), do Governo Federal.

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