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Obras do escritório Ramos de Azevedo são expostas com participação de professores da USP



12/03/2015

Fonte: Universidade de São Paulo 

Ramos de Azevedo: Engenheiro, arquiteto, educador, empresário, dono de grande capacidade de trabalho e também da habilidade de identificar, arregimentar e congregar talentos ao seu redor (Divulgação)A exposição “Escritório Ramos de Azevedo: a Arquitetura e a Cidade”, com curadoria e consultoria de professores da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da Universidade de São Paulo (USP), está em cartaz até o dia 17 de março, no Centro Cultural Correios – prédio projetado pelo escritório e inaugurado para integrar as comemorações do centenário da Independência do Brasil, em 1922.

Um dos objetivos da exposição é chamar a atenção para a dimensão coletiva do trabalho do escritório, já que “a historiografia eternizou o nome do Ramos, mas esse trabalho é de uma equipe”, aponta a curadora da mostra e professora da FAU, Beatriz Piccolotto Siqueira Bueno – que tem consultoria de Nestor Goulart Reis, também docente da faculdade.

Além de suscitar uma série de novas pesquisas revendo a arquitetura do século 19 – questionando, por exemplo, sua dimensão autoral. Em seus 80 painéis, a exposição reúne cerca de 100 desenhos reproduzidos em suas dimensões reais, o que permite observar a qualidade e a riqueza dos detalhes dos projetos

O material selecionado tem duas fontes: as coleções públicas do Arquivo Municipal e da FAU. A ideia original era que a mostra coroasse um trabalho feito entre 2006 e 2010 com recursos de Pesquisa em Políticas Públicas da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), mas a proposta só foi viabilizada agora, a partir de novos recursos obtidos via Lei Rouanet e por um edital dos Correios. Durante a pesquisa, foram digitalizados 1.600 desenhos do escritório sob a guarda do Arquivo Municipal.

Equipe do Escritório e História da Cidade
Duas linhas curatoriais foram concebidas pela professora Beatriz Bueno: de um lado, mostrar a equipe e os procedimentos modernos que organizavam o escritório; de outro, retratar as duas cidades produzidas em diferentes momentos históricos por meio dessa arquitetura. Várias fotos mostram essas diferentes equipes – desde os profissionais mais qualificados até os que estão no trabalho mais pesado – reunidas em comemorações nos próprios canteiros ou nos eventos que celebravam datas festivas.Curadora da mostra e professora da FAU, Beatriz Piccolotto Siqueira Bueno (Divulgação)

A segunda vertente conta a história das duas cidades produzidas ao longo da atuação do escritório. A primeira fase, da criação até 1928, quando Ramos de Azevedo morre, coincide com a explosão populacional e a renovação arquitetônica e urbanística de São Paulo, entre o final do século 19 e as primeiras décadas do 20. Com a morte do fundador, a razão social do escritório foi alterada para F. P. Ramos de Azevedo, Severo & Villares e mais tarde para Severo Villares & Cia. Capitaneada por Ricardo Severo e Arnaldo Villares, a segunda etapa, especialmente a partir da década de 1940 e até o final das atividades, em 1965, se caracteriza pela atuação numa São Paulo já metrópole e em verticalização crescente.

A exposição apresenta também projetos destinados a particulares, como edifícios mistos (com lojas no térreo e escritórios e moradias nos andares superiores, novidade para a época na cidade) e os chamados palacetes, vários deles ainda existentes.

O projeto, financiado pela Fapesp e concluído em 2010, possibilitou a digitalização de 1.600 desenhos do Arquivo Municipal e ensejou a assinatura de um convênio entre a Secretaria Municipal da Cultura e a USP para digitalizar uma coleção de 70 mil permissões de construção de obras particulares que entre 1906 e 1921, solicitaram aprovação na Prefeitura. “É um mundo”, revela Beatriz Bueno.

Desse total, 30 mil foram digitalizados, existindo cópia na FAU para permitir consultas rapidamente, sem a necessidade de ir aos originais. O convênio tem validade até 2017 e a intenção é de ele que seja renovado. “Essas coleções existem mundo afora, mas não estão informatizadas. Talvez nossa iniciativa tenha sido pioneira, mas precisamos dar sequência aos seus desdobramentos”, defende a professora.

A exposição “Escritório Ramos de Azevedo: a Arquitetura e a Cidade” tem entrada gratuita e pode ser visitada até 17 de março, de terça-feira a domingo, das 11h às 17h, no Centro Cultural Correios, localizado na Avenida São João, s/nº – Vale do Anhangabaú, São Paulo.

Mais informações pelo telefone: (11) 3227-9461 e no site www.correios.com.br/cultura


 

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