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Negócios com foco na qualificação profissional



05/10/2009

Mariana Zamunér, coordenadora do APL de Cerquilho e Tietê: troca enriquecedora (Paulo César Silva/Imprensa Oficial)

Desde 2003, os Arranjos Produtivos Locais (APL) se transformaram numa nova forma de fazer negócios, qualificar trabalhadores e gerar renda, mudando a vida de pessoas e organizações de diversas cidades do Estado. Os APLs são caracterizados pela existência da aglomeração de um número significativo de empresas em torno de uma atividade, seja ela de pequeno ou médio porte. Esse aglomerado busca aumentar a competitividade desses parceiros por meio de incentivo tecnológico, financeiro e de pesquisa. O programa, vinculado à Secretaria de Estado do Desenvolvimento, reúne 24 APLs, que somam 14 mil empresas e 350 mil postos de trabalho.


No município de Jaú, o APL é formado por 250 fábricas de calçados, gerando aproximadamente 17 mil empregos. Desde 2003, está presente na vida da cidade com a missão de capacitar jovens que saem de outras atividades profissionais. Lá, o APL se transformou numa alternativa inteligente, sustentável e inovadora, colaborou para melhorar a mão de obra - e ainda descobre talentos.

É o caso de Rômulo Morares, 25 anos, almoxarife da empresa Valéria Prado, que antes de atuar na área desejada, trabalhava num frigorífico carregando carnes o dia inteiro, uma atividade braçal e cansativa. Para ele, a vida deu um grande giro, pois esse tipo de parcerias fortalece a todos, tendo hoje a chance de ver o seu trabalho nos pés de muitas pessoas. "Saber que os nossos produtos estão nas principais passarelas - e que, antes de chegar ao consumidor, passou pelas mãos de profissionais como eu - é motivo de orgulho", disse Rômulo, que é aluno do 5o semestre do curso de Gestão da Produção em Calçados da Fatec-Jaú e sonha em abrir o próprio negócio.

Clóvis Oliveira: planejamento coletivo beneficia quem pensa em conjunto (Paulo César Silva/Imprensa Oficial)
Estudar e trabalhar
Os APLs contemplam vários setores - aeroespacial, confecção infantil, bordados de cama, mesa e banho, móveis, cerâmica, calçados, indústria têxtil entre outros. Geralmente estão situadas num mesmo local e apresentam níveis de entrosamento entre si, constituindo o modelo ideal de desenvolvimento local. Nesta cadeia produtiva, estão envolvidas entidades públicas e empresas, em parceria com instituições de ensino e pesquisa.

Responsável por superar alguns paradigmas, Clóvis Oliveira, gerente industrial da Valéria Prado, ressalta que a parceria com o APL trouxe benefícios para toda a cidade, resultou numa comunicação mais eficiente entre os empresários e na preparação dos seus funcionários para o futuro.

Segundo ele, a nova fórmula vem mudando a realidade de pessoas, que, por meio dos APLs, são qualificadas e crescem com a comunidade, movimentando a economia local. "O planejamento coletivo beneficiou quem pensa em conjunto, quem qualifica e projeta ações de melhorias para a região", destacou Clóvis, que segue um lema à risca: só trabalha na sua equipe quem estuda e pensa em progredir pessoal e profissionalmente.

Mesmo sem experiência no mercado de trabalho, a recepcionista Suzana Ferrari, 20 anos, aluna do 5° semestre de Gestão da Produção em Calçados (Fatec) encontrou na mesma empresa a oportunidade para seguir na carreira. "O curso superior nos dá projeção a longo prazo, motiva e nos prepara como cidadãos responsáveis para a vida", comentou Suzana.

Para mudar a filosofia das empresas, foi preciso integrar os cursos técnicos da Fatec, Senai, Sebrae e o programa de Iniciação Profissional, como um método que objetiva qualificar jovens e adultos de outras áreas e prepará-los para o futuro mais promissor. Segundo o coordenador do APL de Jaú, Giovanni Costa, só é possível crescer por meio de gestão de competências, quando as pessoas têm expectativas de uma vida mais digna, aliado à formação escolar.

Suelen e Ketlin: amigas vislumbram fazer curso de moda e tornarem-se estilistas (Paulo César Silva/Imprensa Oficial)
Pequena gigante
Outra boa resposta propiciada pelo APL está nos municípios de Cerquilho e Tietê, que durante séculos serviu de cidade dormitório a imigrantes. Conhecida como "cidade das rosas", Cerquilho tornou-se um dos grandes representantes do País em confecção infantil. Lá, o APL ajudou a criar novas frentes de trabalho, os negócios evoluíram e a pequena virou gigante. Para o sonhador Edson Laduci, proprietário da empresa Cattai de confecção infantil, tudo teve origem nos fundos de um quintal, onde Edson jamais imaginou chegar ao estágio atual. Atualmente, com 60 funcionários, a empresa realiza todos os passos de produção das peças infantis - pesquisa, criação e produção, sendo referência em todo o Brasil.


Desde o início da parceria com o APL, a Cattai participa de cursos de modelagem, costura industrial, recursos humanos, workshops e feiras. Ao mesmo tempo, foi preciso que Edson e outros empresários da região, além de investir o capital em mais produção, enxergassem a necessidade de impulsionar os negócios, não propriamente como concorrentes, mas como parceiros. "A partir disso, a primeira barreira foi vencida, nosso produto melhorou, deixamos de ser 'os caipiras do interior', da fabricação e cópias de vestidinhos de cabide", lembrou.

Para as amigas Suelen Peregrino e Ketlin Sales, 20 anos, a oportunidade de trabalhar no setor surgiu de uma inusitada situação. Ambas decidiram entregar seus currículos a um motorista da empresa, que repassou para o setor de recursos humanos. Dias depois a surpresa: Suelen e Ketlin estavam empregadas. Para o futuro, as amigas, que fazem parte da criação das formas para os modelos, vislumbram fazer um curso de moda e tornarem-se grandes estilistas.

Segundo a coordenadora do APL de Cerquilo e Tietê, Mariana Zamunér, o aprendizado que todos adquirem é uma troca enriquecedora, que permite negociar bons espaços nas feiras e apresentar a qualidade dos produtos fora do País. "Agora temos até um catálogo particular, coisa que sequer imaginávamos antes", conta Mariana. São 267 confecções. Dessas, 44 fazem parte do polo. O objetivo é unir as empresas para incrementar os negócios, qualificar os funcionários e realizar compras conjuntas com rodadas de negociações.

A meta do programa ainda prevê a aplicação de R$ 4,4 milhões nas próprias localidades. Nesse sentido, a Secretaria de Desenvolvimento do Estado de São Paulo criou a Rede Paulista de Arranjos Produtivos Locais para coordenar o programa. O Programa Estadual de Fomento aos Arranjos Produtivos Locais (APLs) realiza encontros anuais nos quais os participantes apresentam seus cases e trocam experiências para aprimorar os conhecimentos.

Clique aqui para ver a matéria publicada na edição de 02/10/2009 no Diário Oficial do Estado.

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