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Livro com peças de teatro de professor do Instituto de Artes



23/04/2014

Fonte: UNESP

José Manuel Lázaro, professor do Instituto de Artes da Unesp, lança o livro ‘O ocaso da primavera e outras peças', dia 26 de abril, das 16h30 às 19h30, em São Paulo, SP, no Espaço dos Parlapatões, na Praça Roosevelt, 158, Centro. A publicação é da Giostri Editora (www.giostrieditora.com.br).

Lázaro possui formação em Artes Cênicas pela Escola de Teatro da Pontificia Universidad Católica de Lima (1989), mestrado (1999) e doutorado (2004) em Artes Cênicas pela Universidade de São Paulo. Tem experiência na área de Artes, com ênfase em Dramaturgia, atuando principalmente nos seguintes temas: teoria da dramaturgia, teatro, teoria da encenação, interpretação teatral, pós-modernidade na cultura e dramaturgia hispano-americana. Paralelamente desenvolve sua atividade como ator e dramaturgo em grupos teatrais.

O professor do Instituto de Artes lembra que, desde criança, no Peru, onde nasceu, gostava muito de participar na escola de atividades relacionadas ao teatro. Qundo teve que escolher um curso superior, optou por Economia, mas, em paralelo, realizava escola de teatro para atores. Com o tempo, o amor por interpretar o levou a se dedicar integralmente ao teatro.

Inicialmente, Lázaro não se sentia seguro para escrever, pois achava que lhe faltava uma maior e melhor formação. Dedicou-se à interpretação, atuando em dois grupos que o chamavam para realizar diversos trabalhos. Em busca de melhor formação, tentou cursar a pós-graduação no exterior, sendo aceito, na Escola de Comunicações e Artes pela professora Renata Pallotini.

A vida para o Brasil é considerada fundamental, pois encontrou aquilo que estava buscando: um mergulho na teoria da dramaturgia contemporânea. Integrou-se bem ao novo ambiente acadêmico e passou a se dedicar menos à interpretação e mais à teoria do teatro e à dramaturgia, inclusive utilizando a sua base de cultura latina como importante fonte cultural para desenvolver as suas pesquisas.

Em São Paulo, o desejo de escrever ganhou forma. Logo ao ingressar no mestrado, os rascunhos de Lázaro começaram a ganhar forma. Encontros com outros autores e atores levaram a um acúmulo de material e busca do melhor formato final. Nas atividades mais isoladas, a pesquisa de elaboração de uma ideia é de 6 meses a um ano, mais outro ano para dar concretude ao texto. Nas ações em grupo, o material inicial equivale a umas 30 peças, mas o processo de seleção é diferente, comparável ao do fotógrafo profissional, que faz mais de 300 fotos para escolher quatro ou cinco que o agradam.

O ponto de partida dessas criações varia muito. Nas ações coletivas, geralmente se parte de um tema. Para desenvolvê-lo, há então uma busca do grupo de referências na literatura, na pintura, no cinema e na dramaturgia. Quando se trata de um trabalho individual, o trabalho está em dar forma e expressão a temas que já habitam o artista.

O começo de um apeça pode estar em um filme assistido, em uma conversa com alguém ou em uma ação presenciada na rua. Geralmente um fato do cotidiano detona uma expressão interiorizada que leva Lázaro a escrever. O primeiro impulso é o de registrar no sentido de se libertar de uma ideia. A decisão de retomar, desenvolver e transformar numa obra vem posteriormente, sendo que geralmente atores amigos são chamados para lerem em voz alta para que o professor do IA escute o que escreveu e faça os acertos no texto que julga necessários.

‘O ocaso da primavera’ reúne as três primeiras peças escritas pelo autor ao chegar no Brasil. Cada uma delas é vista como uma pesquisa de linguagem que ganha uma concretude. São definidas pelo próprio autor como ‘expressividades líricas repletas de metáforas’, ligadas aos teatros do absurdo e simbolista.

A primeira peça do volume, ‘Díptico’, teve uma parte encenada na França e reúne dois fragmentos repletos de metáforas sobre o desenvolvimento da existência.

Já ‘O ocaso da primavera’, encenada no Peru com adaptações, demorou menos de um ano para ser elaborado e trata da perda pelo ser humano da pureza animal a partir da história de uma jovem que fica trancada num quarto e protegida por uma espécie de avó. A reação violenta à chegada de um invasor gera uma série de situações. Uma particularidade é que os personagens se comunicam entre por meio de sons, mas não falam. O público vê apenas as suas ações.

Terceira peça, ‘Os últimos olhares de Vladimir’, inédita, é um jogo intertextual que demorou dez anos para ser finalizado. Trata-se de metadramaturgia tendo como base a vida trágica de Vladimir Mayakovsky (1893 – 1930). Conhecido como "o poeta da Revolução", ele foi um escritor, dramaturgo e teóricorusso considerado um dos destaques do século XX, ao lado deEzra PoundeT.S. Eliot. O texto cruza dados biográficos do artista com todo o processo de construção de sua obra poética e da própria metáfora do existir e do criar.

Para 2014, Lázaro tem como objetivos encerrar as cinco ou seis peças inéditas em que está trabalhando e deseja ver encenadas, num processo de libertação desses textos e de entrega deles para o mundo. Deseja ainda publicar outras peças e começar um novo projeto de escrita.

Em relação à suas aulas no IA, alerta que os jovens atores têm agora muitas opções de formação e de informação num mundo cada vez mais acelerado que demanda tomar decisões de forma muito rápida. Para ele, isso leva o estudante a passar por muitas e múltiplas experiências, mas sem um devido aprofundamento.

Lázaro acredita que um melhor caminho seria gerar uma certa disciplina no sentido de escolher aquelas opções que se achar melhores e vive-las com maior intensidade, gerando um trabalho mais potente. Assim, concentrar-se em uma ou duas pesquisas de linguagem e leva-las adiante em um grupo, por exemplo, seria mais produtivo para a formação do ator que realizar dezenas de oficinas sem o devido adensamento de práticas, técnicas e ideias.

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