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Ipen estuda efeito de toxina no combate a tumores



02/03/2010

Células tumorais mostraram-se até 150 vezes mais sensíveis à ação da toxina

O Centro de Biotecnologia do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen) - autarquia estadual vinculada à Secretaria de Desenvolvimento e gerenciada técnica, administrativa e financeiramente pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) do Ministério de Ciência e Tecnologia - que tem como seu carro-chefe as pesquisas com toxinas animais, especialmente de uma serpente brasileira, a cascavel, resolveu ousar mais uma vez. Em parceria com o Laboratório de Biologia Celular do Instituto Butantan, está pesquisando o efeito de uma toxina dessa serpente no combate a células tumorais.

A cultura de células tumorais foi toda desenvolvida no Ipen, e o veneno enviado pelo Butantan. As células são de melanoma de camundongo e mostraram-se até 150 vezes mais sensíveis à ação da toxina. Dados experimentais permitiram calcular a quantidade de toxina necessária. Para matar 50% das células tumorais foi necessário 1,89 micrograma de toxina por mililitro, enquanto células normais tiveram que ser expostas a 307 microgramas da mesma toxina para se observar o mesmo efeito. Para a maioria das drogas, explica Patrick Spencer, pesquisador do instituto, não há essa diferença de 150 vezes entre a dose terapêutica (que afeta o tumor) e a dose tóxica (que afeta os tecidos sadios).

Nos testes in vivo, ou seja, quando a droga foi injetada em animais de experimentação que tiveram esse tumor induzido, há indícios científicos de bons resultados. O tamanho do tumor foi menor, assim como a quantidade de metástases surgidas. A sobrevida dos animais também foi superior. Há perspectivas de expandir o estudo também para tumores de mama e tumores cerebrais (neuroblastoma e neuroglioma).

Agora o que os pesquisadores precisam entender é o mecanismo de ação - como e porque ocorre essa contenção do tumor. Para se utilizar toxinas como agentes terapêuticos é preciso muito cuidado, já que elas são moléculas muito versáteis e muitas vezes têm mais de uma região com atividade biológica.

O ataque ao tumor pode acontecer de muitas formas. Os cientistas querem entender porque ocorre a morte da célula tumoral e não de outras. Eles pretendem identificar sob várias condições os mecanismos que levam a esse ataque. Eles perceberam, por exemplo, que o tumor tratado com a toxina fica encapsulado, minimizando a possibilidade de metástase ou a disseminação do tumor.

Outras linhagens tumorais serão testadas. E ainda há venenos não explorados. Para testar o potencial de cada um deles, é preciso isolar os constituintes dos venenos. Isolando, é feita a caracterização bioquímica e enzimática dos componentes. Também é preciso estudar a atividade in vitro (cultura de células) e in vivo (por meio de testes em animais).

Para isso, são usadas técnicas de purificação, método cromatográfico e separações. A certificação da pureza e o controle de qualidade são fundamentais. “Pela natureza do trabalho desenvolvido, temos que ser muito criteriosos”, explica Spencer.

Para o trabalho com o veneno de Crotalus durissus terrificus (cascavel), já existe um caminho a ser seguido. Vários componentes são testadas para novas pesquisas. O veneno bruto é fracionado e regracionado, quando descoberta uma atividade de interesse. Depois, a substância pura é identificada, para se descobrir sua natureza, qual a proteína presente e se ela está relacionada ao mecanis-mo de interesse e se já existe algo descrito na literatura.

A estrutura de uma proteína pode dizer algo sobre seu mecanismo de ação. Ou seja, de um amplo espectro de biodiversidade molecular presente nos venenos, uma varredura irá apontar quais são algumas das moléculas candidatas. Dessas, os estudos indicarão algumas de interesse, que serão melhor analisadas.

Spencer cita o interesse da medicina atual por drogas específicas para diagnóstico e terapia voltadas a cada tipo de tumor. Disso dependem muitos pacientes acometidos por câncer, um problema de saúde pública mundial.

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