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Ipen discute crise de radiofármaco



31/07/2009

A Comissão Nacional de Energia Nuclear realizou nesta quinta-feira, 30 de julho, uma reunião no Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen) sobre a crise no fornecimento de geradores de tecnécio, radiofármaco utilizado em aproximadamente 80% dos exames diagnósticos em medicina nuclear em áreas como cardiologia e oncologia. O problema deve-se à carência de molibdênio-99, matéria-prima utilizada para produzir os geradores. O produto é obtido a partir de reatores nucleares de pesquisa.

O Brasil consome aproximadamente 5% da produção mundial de molibdênio-99, ao custo de US$20 milhões ao ano. O país compra o produto da empresa canadense Nordium, vencedora de licitação internacional que comercializa o molibdênio proveniente do Canadá. A matéria-prima é produzida em apenas quatro reatores: o NRU, no Canadá; o HFR-Petten, na Holanda, o Safári, na África do Sul e o BR2, na Bélgica. A crise foi deflagrada com a parada do reator canadense, desde maio deste ano e a previsão é de que a instalação volte é operar é de apenas no fim deste ano. O reator da Holanda também está inoperante. Juntos, esses dois reatores respondem por 64% da produção mundial e a parada de um ou mais deles causa um efeito devastador no atendimento à demanda deste produto, explica o superintendente do Ipen Nilson Dias Vieira Júnior.

Desde o início do mês de junho o país vem recebendo quantidade de molibdênio da Argentina, capaz de suprir 30% das necessidades nacionais. Aquele país apenas fabrica o produto para seu mercado interno e a aquisição do produto foi conseguida em tempo recorde, contando com a colaboração da Comissão de Energia Atômica da Argentina.

A reunião pretendeu sincronizar ações entre o instituto, a CNEN e a classe médica. A Sociedade Brasileira de Biologia e Medicina Nuclear (SBBMN) participou do encontro. O presidente da CNEN Odair Dias Gonçaves apontou as alternativas que têm sido buscadas pela equipe de crise, buscando encontrar soluções para minimizar os impactos para os milhares de pacientes que dependem dos exames.

Foram estabelecidos contatos com outros países, para uma possível importação do produto, entretanto as perspectivas são limitadas, pela restrição do número de reatores em produção mundial. A África do Sul sinalizou com a possibilidade de fornecimento de quantidade equivalente a um terço das necessidades do Brasil, a um preço 50% acima do praticado pela Nordium e com pagamento adiantado. Mesmo aceitando todas essas condições, esta semana o reator sul-africano não dispunha do material para a aquisição pelo Ipen.

A produção no país e a compra de outros radiofármacos que possam substituir exames em que o tecnécio é utilizado, como o tálio e gálio, também está sendo uma das alternativas. O Ipen está em contato com Israel para aquisição de tálio-201 e gálio-67, mesmo que a preço 50% maior que o praticado pela empresa canadense Nordium. Esta empresa tem fornecido tálio, porém em quantidade inferior à demanda, que cresceu em pelo menos 10 vezes desde o início da crise. Para que o Ipen produza também gálio e tálio são necessários alguns rearranjos de produção, já que os cíclotrons (equipamentos utilizados na produção) estão dedicados a produção de outros radiofármacos também essenciais.

Gonçalves anunciou que na próxima quarta-feira, 5 de agosto, estarão reunidos representantes da presidência da República, Ministérios da Ciência e Tecnologia, Saúde e das Relações Exteriores, para discutir aspectos emergenciais desta crise. Também serão estudados critérios para distribuição dos geradores de tecnécio - atualmente enviados a aproximadamente 300 centros de medicina nuclear do país em quantidade proporcional à produção de um terço da demanda histórica.

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