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Ipen analisa metais tóxicos na poeira doméstica



17/02/2010

Análise das amostras de poeira comprovam a presença de contaminantes

Uma equipe de pesquisadores do Centro de Química e Meio Ambiente do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen) - autarquia estadual vinculada à Secretaria de Desenvolvimento e gerenciada técnica, administrativa e financeiramente pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen) do Ministério de Ciência e Tecnologia - desenvolveram estudo de doutorado para avaliar as características químicas e toxicológicas em amostras de poeira doméstica de quatro bairros da região norte da cidade de São Paulo. O objetivo principal da pesquisa é determinar metais potencialmente tóxicos e ftalatos, substâncias mais preocupantes do ponto de vista de saúde pública, por serem capazes de provocar distúrbios endócrinos e mutações.

Inicialmente foram selecionadas 100 residências, nos bairros Freguesia do Ó, Pirituba, Jaraguá e Perus, sendo 69 as escolhidas. Os locais foram selecionados pela proximidade às marginais, rodovias paulistas, estações ferroviárias e aterros sanitários.

A avaliação realizada envolveu apenas ambientes residenciais e seguiu protocolo baseado em orientações da EPA (agência de proteção ambiental norte-americana). A coleta foi realizada entre os anos de 2006 e 2008, utilizando aspirador de pó. As amostras foram peneiradas e a fração mais fina analisada, por apresentar maior concentração de contaminantes.

Os ftalatos são compostos orgânicos utilizados como aditivos de materiais plásticos, como o PVC, para melhorar suas propriedades físicas. Porém, a sua incorporação é parcial e devido ao desgaste natural ou intempéries estes compostos tendem a se desprender dos materiais e migrar para o meio ambiente. Essas substâncias são cumulativas e não biodegradáveis e podem se alocar no tecido adiposo, provocando distúrbios endócrinos e mutações. Há estudos mostrando que há migração dos ftalatos presentes em utensílios médicos como catéteres e bolsas de sangue, bem como de utensílios e artefatos domésticos.

As análises foram feitas utilizando-se técnicas de fluorescência de raios-X para os metais e cromatografia gasosa acoplada ao espectrômetro de massa para os ftalatos.

De acordo com Valdirene Scapin, a pesquisa mostrou que cromo, níquel, cobre, zinco e chumbo encontram-se acima dos valores de referência permitidos, quando comparados com os valores de exposição (somatória dos teores aceitáveis para contato dermal, inalação de partículas e ingestão de solo, publicados pela Cetesb). Os resultados comprovam a contaminação dos ambientes domésticos internos por metais pesados.

A orientadora Ivone Mulako Sato alerta sobre os teores de ftalatos e para a ausência de normativa oficial para comparação dos valores determinados com valores de referência. Ftalatos como o DEHP e o DnBP encontram-se acima dos valores de referência internacionais permitidos para ingestão.

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