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Fármaco do Ipen bate recorde



14/04/2009

Um dos principais produtos radioativos destinados à medicina nuclear produzidos pelo Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), o gerador de tecnécio, atingiu recorde de produção, no último dia 27 de março. Foram contabilizados 315 geradores comercializados, a maior quantidade distribuída desde o início da produção deste material. Empregado no diagnóstico de tumores, funções renais, problemas pulmonares e hepáticos, o material é distribuído às sextas-feiras a mais de 300 clínicas e hospitais em todo o país.

O gerador de tecnécio é utilizado em mais de 85% dos exames na área de medicina nuclear. O tecnécio é produzido a partir do molibdênio-99, elemento obtido por meio de irradiações em reatores nucleares. A produção do molibdênio encontra-se em crise no mercado internacional. No início de março, houve um aumento no preço do molibdênio importado, que implicou em reajuste de preços de 70% para instituições médicas no país. Esse percentual poderia ter sido maior caso o Governo Federal não tivesse absorvido parte dos custos.

Em função dos avanços na área de medicina nuclear, a nacionalização de parte dos insumos para produção dos radiofármacos é fundamental, para que tenha segurança no fornecimento e economia de divisas para o país, explica Nilson Dias Vieira Junior, superintendente do Ipen. O instituto está envolvido no projeto de construção de um novo reator nuclear de pesquisas no Brasil – o Reator Multipropósito Brasileiro (RMB). O RMB está alinhado com os objetivos estratégicos e ações propostas no Plano de Ações de Ciência, Tecnologia e Inovação (PACTI 2007-2010) do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) e terá impacto na pesquisa, desenvolvimento e formação de recursos humanos.

Atualmente o país possui quatro reatores de pesquisa em operação, sendo que apenas o reator IEA-R1, localizado no Ipen, em São Paulo, possui capacidade de produção de radioisótopos e irradiação de materiais, embora limitada. A vida útil deste reator é estimada em apenas mais 10 anos. Sem a entrada em operação de um novo reator, especialistas afirmam que a área de medicina nuclear - que contabiliza mais de três milhões de procedimentos médicos ao ano - será fortemente afetada.

Estima-se que o instituto já tenha produzido mais de 250 mil geradores de tecnécio. No ano passado, 59% da produção foi enviada para a Região Sudeste, 17% para a Região Sul, 16% para o Nordeste, 7% para o Centro-Oeste e 1% para a Região Norte. O material tem atividades radioativas diferentes: de acordo com a necessidade do hospital são enviados geradores de 250, 500, 750, 1000, 1250, 1500 e 2000 miliCuries. O diretor de Radiofarmácia do Ipen, Jair Mengatti, afirma que a produção recorde foi “uma conquista importante, resultado de muito trabalho, competência e profissionalismo”. A produção dos geradores atende integralmente a demanda da classe médica nacional, dentro de rigorosos critérios de qualidade, atestada pela certificação na norma ISO 9001 versão 2001.

Este ano o Ipen completa 50 anos de produção dos radiofármacos e desde 1981 fabrica os geradores de tecnécio. Instituição de pesquisas vinculada à Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), órgão do MCT, “representa o serviço público de qualidade e regularidade, que investe em pesquisas e projetos de amplo alcance social”, afirma Vieira Junior. Segundo ele, um dos grandes desafios para o instituto e para a área nuclear como um todo é a renovação de seu quadro de servidores, altamente especializados.

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