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Fapesp assina acordo com maior organização para pesquisa aplicada da Europa



15/10/2014

Fonte: Agência Fapesp

Celso Lafer (à esq.) e Frank Treppe, da Fraunhofer-Gesellschaft, durante visita à sede da instituição alemã, em Munique (Karina Toledo/Fapesp)A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), assinou nesta terça-feira 14 de outubro, em Munique, na Alemanha, um acordo de cooperação científica e tecnológica com a Fraunhofer-Gesellschaft, maior organização para a pesquisa aplicada da Europa.

O documento foi assinado pelo presidente da Fapesp, Celso Lafer, e pelo diretor da divisão de estratégia corporativa e relações internacionais da Fraunhofer, Frank Treppe, durante uma visita da delegação da fundação paulista. O foco da colaboração será em pesquisa aplicada, voltada à inovação, que tenha interesse direto para a indústria no Brasil e na Alemanha.

O encontro ocorreu em paralelo às atividades da Fapesp Week Munich, simpósio promovido pela Fapesp e pelo Centro Universitário da Baviera para a América Latina (Baylat) de 15 a 17 de outubro.

"Esse acordo é parte do esforço de internacionalização da Fapesp. Temos grande interesse em promover colaboração com a Alemanha e estamos cientes da importância do trabalho da Fraunhofer no campo da ciência aplicada. A missão da Fapesp é apoiar tanto a pesquisa básica como a aplicada em todos os campos do conhecimento", ressaltou Lafer no início da visita.

Também estiveram presentes, pela Fapesp, José Arana Varela, diretor presidente do Conselho Técnico-Administrativo; Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico; Euclides Mesquita Neto, membro da coordenação da área de Engenharia; e Marilda Bottesi, assessora especial para assuntos institucionais e internacionais.

Após dar as boas-vindas à delegação, Treppe apresentou um panorama das atividades realizadas pela Fraunhofer, que mantém mais de 80 unidades de pesquisa na Alemanha, incluindo 60 institutos Fraunhofer.

A instituição também mantém centros de inovação no Brasil – um deles voltado a pesquisas na área de desenvolvimento de softwares e sistemas em parceria com a Universidade Federal da Bahia (Ufba) e outro, na área de engenharia de alimentos e biorrecursos, em parceria com o Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital), de Campinas. A apresentação sobre a Fraunhofer no Brasil foi feita por Peter Eisner, chefe do Departamento de Processos da instituição.

De acordo com Treppe, a maior parte dos recursos da instituição é oriunda de contratos de prestação de serviços com indústrias ou com a administração pública. A Fraunhofer, uma organização privada sem fins lucrativos, também recebe recursos do governo federal alemão e dos governos estaduais.

"A Fraunhofer é o parceiro preferido para a indústria na Alemanha; trabalhamos com cerca de 6 mil empresas por ano – a maioria pequenas e médias. Nossa missão é prestar serviços de pesquisa e apoio em inovação em praticamente todas as áreas voltadas à aplicação", afirmou.

Embora o foco da Fraunhofer seja ciência aplicada, ressaltou Treppe, a instituição mantém forte integração com o setor acadêmico e investe cerca de um terço de seu orçamento em pesquisa básica.

"Se quisermos ter algo inovador para oferecer à indústria, se quisermos estar à frente do que o setor industrial está fazendo, precisamos fazer pesquisa básica e manter uma rede de colaboração com as universidades", afirmou Treppe.

Em entrevista à Agência Fapesp, Treppe disse haver grande potencial de colaboração com pesquisadores paulistas em áreas como alimentos, biotecnologia, bioengenharia, tecnologia de produção, engenharia mecânica e de softwares.

"Já temos alguns centros ativos no Brasil e uma forte parceria local. A Fapesp pode ampliar essa colaboração estimulando as empresas regionais a financiar sua inovação por meio de projetos colaborativos com universidades", disse.

Na avaliação de Brito Cruz, a visita foi importante para conhecer melhor a estrutura e o funcionamento da Fraunhofer e perceber o quanto a instituição valoriza a pesquisa básica.

"A pesquisa básica oferece à instituição a capacidade de realizar projetos de inovação que realmente interessem para as indústrias e governos aos quais se associam. Em São Paulo, estamos vendo esse tipo de iniciativa sendo desenvolvida pela Fraunhofer e temos boas expectativas em relação a essa colaboração", afirmou.

Novas parcerias
Com o objetivo de prospectar futuras oportunidades de colaboração, a diretoria da Fapesp visitou na manhã de terça-feira a Technische Universität München (TUM), uma das universidades de maior destaque na Europa e integrante do programa "The Excellence Initiative", criado pelo governo federal da Alemanha com o objetivo de fomentar pesquisa de fronteira, criar condições excelentes para os estudantes de universidades alemãs e fortalecer a cooperação internacional.

Com perfil voltado principalmente à área de tecnologia, a instituição conta com cerca de 500 professores, 10 mil funcionários e 36 mil estudantes, a maior parte dedicada aos cursos de engenharia, principalmente mecânica. Pela instituição já passaram 13 vencedores do Prêmio Nobel e 15 do Prêmio Leibniz, o mais importante da Alemanha na área científica.

Além da delegação da Fapesp, participaram do encontro o presidente da TUM, Wolfgang Herrmann; a vice-presidente sênior de Alianças Internacionais, Hana Milanov; o vice-presidente sênior de Pesquisa e Inovação, Thomas Hofmann; a diretora do Centro Internacional da TUM, Ana Santos Kühn; e a gerente de projetos do TUM ForTe – Escritório de Pesquisa e Inovação, Alice Becker.

Estavam presentes ainda Sören Metz, que coordena o escritório da universidade para a América Latina, situado em São Paulo, Vanessa Grünhagen, representante da América Latina no Centro Internacional da TUM, Lorenz Wagner, coordenador acadêmico do Consulado-geral do Brasil na Alemanha, e Irma de Melo-Reiners, diretora executiva da Baylat.

Hofmann disse ter ficado interessado pelo modelo de financiamento da Fapesp, principalmente pela flexibilidade que ele oferece aos pesquisadores.

"Os interessados podem submeter suas propostas a qualquer momento do ano. É completamente aberto, como o modelo do DFG [Fundação Alemã de Pesquisa Científica], e isso é ótimo. Penso que teremos muitos interesses em comum, como na área de energia, biotecnologia, medicina e ciências da vida", disse.
 

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