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Estudo comprova imunização contra o H1N1



01/12/2011

Portadores de doenças reumáticas autoimunes, como lúpus e artrite reumatoide, apresentam maior risco de infecção do que a população em geral. Por conta disso, precisam ser vacinados contra novos vírus, como o H1N1, causador da influenza A. Mas não se sabia se as vacinas desenvolvidas para combater esse subtipo do vírus da influenza apresentavam riscos e seriam eficazes para esses pacientes.

Um estudo realizado por pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) comprovou a imunogenicidade e a segurança da vacina contra o H1N1 em pacientes com doenças reumáticas autoimunes e em pessoas submetidas à terapia imunossupressora, como as com câncer ou as que receberam transplante.

Os resultados da pesquisa, que recebeu apoio da FAPESP e foi coordenada pela professora Eloisa Silva Dutra de Oliveira Bonfá, foram apresentados no Encontro Científico Anual do Colégio Americano de Reumatologia (ACR, na sigla em inglês), que ocorreu nos dias 4 a 9 de novembro em Chicago, nos Estados Unidos, e publicados anteriormente nos Annals of the Rheumatic Diseases.

Durante o estudo, foram avaliados e vacinados contra o H1N1 1.668 pacientes diagnosticados com artrite reumatoide, espondiloartrites, lúpus eritematoso sistêmico, dermatomiosite, doença mista do tecido conectivo, vasculites sistêmicas, esclerose sistêmica, síndrome de Sjögren, síndrome antifosfolípide e artrite idiopática juvenil, entre outras, atendidos no ambulatório do Hospital das Clínicas e na Unidade de Reumatologia Pediátrica do Instituto da Criança da USP.

Também foram recrutadas 234 pessoas saudáveis para receber a vacina, desenvolvida pelo Instituto Butantan em parceria com a indústria farmacêutica Sanofi-Aventis.

Juntamente com os pacientes com doenças reumáticas autoimunes, o grupo de controle foi acompanhado por 21 dias após a vacinação para avaliação dos efeitos colaterais.

Ao comparar a resposta imune à vacina pelos dois grupos, os pesquisadores constataram que, de forma geral, a dos pacientes com doenças reumáticas autoimunes foi equivalente a das pessoas saudáveis.

“A resposta imune à vacina contra o H1N1 na população normal ficou em torno de 77%, contra 63% dos pacientes com doenças autoimunes. Com base nisso, agora podemos afirmar, com segurança, que esses pacientes podem ser vacinados contra a gripe, porque respondem bem à vacina”, disse Bonfá à Agência FAPESP.

De acordo com a pesquisadora, no estudo, apenas em pacientes diagnosticados com lúpus, artrite reumatoide e artrite psoriática a resposta imune à vacina contra o H1NI foi menor do que a apresentada pelas pessoas saudáveis.

Ao investigar as causas para essa diferença, os pesquisadores descobriram que isso se deve ao efeito dos imunossupressores e corticoides utilizados na medicação desses pacientes. E que quando esses medicamentos são associados ao uso de cloroquina – um antimalárico muito usado no tratamento de doenças reumáticas autoimunes – a resposta imune à vacina por esses pacientes melhora e tende a se normalizar.

A descoberta será publicada nas próximas edições da revista Rheumatology, da Sociedade Britânica de Reumatologia. “Pretendemos realizar agora um estudo celular com antimalárico, para avaliar a resposta autoimune”, disse Bonfá.

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