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Estado ampliará navegação no Rio Tietê



31/08/2009

Muitos não sabem, mas 41 quilômetros do Rio Tietê, na Região Metropolitana de São Paulo, são navegáveis. Esse trecho está localizado entre as barragens Edgard de Souza, em Santana de Parnaíba, e da Penha, na capital. Outros 14 quilômetros se somarão a esse trecho, com a construção de eclusa (para passagem de embarcações) na barragem da Penha. Com isso, a parte navegável do rio irá até São Miguel Paulista (próximo à Nitroquímica). O Departamento Hidroviário (DH), da Secretaria dos Transportes, abrirá, no próximo dia 11, licitação para contratar o projeto executivo dessa obra.

Segundo o diretor do DH, Frederico Bussinger, a intenção é preparar o projeto executivo para, no ano que vem, contratar as obras da eclusa. O prazo de conclusão previsto é de um ano e meio. O projeto é feito em parceria com o Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE). O reservatório formado pela barragem da Penha (com 3,5 milhões de metros cúbicos), a ser interligado pela eclusa, equivale a 40 piscinões iguais aos do Estádio do Pacaembu, na capital. Além de favorecer a navegação, o reservatório defende a cidade das enchentes, pois amortece a vazão causada por grandes precipitações, esvaziando aos poucos o volume de água acumulado.

Também está em contratação um estudo de viabilidade técnica, econômica e ambiental do Projeto Hidroanel Metropolitano. "Trata-se de uma pré-avaliação, não é ainda o projeto propriamente", esclarece Bussinger. A proposta é que o hidroanel abarque, entre outros, os rios Tietê e Pinheiros e as represas Billings e Taiaçupeba. Com a construção de um canal de 28 quilômetros, entre a Billings e Taiaçupeba, há possibilidade ainda de se fechar o anel. Com isso, serão 186 quilômetros de vias aquáticas circundando a Região Metropolitana, o que a tornará praticamente uma ilha. "Isso é algo que outras grandes metrópoles do mundo não possuem e temos de aproveitar", observa o diretor.

Desnível
O DH tem reavaliado projetos e ideias sobre o aproveitamento dos rios da Grande São Paulo, surgidos ao longo de mais de um século. "Estamos resgatando a navegação na Região Metropolitana de São Paulo para ajudar a resolver alguns problemas crônicos da metrópole - o trânsito, o congestionamento, a logística (transporte de cargas e passageiros)", enumera Bussinger. No ano passado, por exemplo, foram realizadas por dia, segundo estimativas, em torno de 440 mil viagens na região metropolitana para o transporte de cargas. Incluem-se aí cargas que transitam sem origem nem destino nessa área. Por exemplo, 15 milhões de toneladas de minério de ferro vindos de MG para o Porto de Santos.

Além do hidroanel, outro projeto que terá reflexos na região é a extensão da hidrovia Tietê-Paraná de Anhembi até Salto. Isso porque vai possibilitar que as cargas transportadas por essa via cheguem mais próximo da Grande São Paulo. A ampliação, uma parceria da Empresa Metropolitana de Águas e Energia S.A. (Emae), será de 200 quilômetros. Na prática, porém, corresponderá a 350 quilômetros. A razão disso é que hoje, embora a hidrovia chegue a Anhembi, a conexão hidroferroviária se dá 150 quilômetros antes (em Pederneiras). Portanto, as cargas, na verdade, passarão a navegar de Pederneiras a Salto, onde então seguirão por ferrovia à RMSP ou ao Porto de Santos.

Já a ligação, por meio de hidrovia, de Salto com a Região Metropolitana (precisamente, Santana de Parnaíba, início do trecho do hidroanel), esbarra em grave dificuldade: desnível de 200 metros existente ao longo de 100 km do rio, onde seriam necessárias várias barragens com eclusas, sendo dessa forma mais viável fazer a conexão por ferrovia.

Rio Sena
O DH também está estudando, em parceria com a Sabesp, o transporte fluvial do lodo gerado nas Estações de Tratamento de Esgoto (ETE), todas localizadas na região metropolitana, próximas ao Rio Tietê. Hoje, esse material (cerca de 500 toneladas diárias) tem como destino os aterros sanitários, que estão se esgotando. A ideia é transportar o lodo das demais ETEs para a unidade de Barueri, onde será instalada uma unidade industrial capaz de transformá-lo em blocos para a construção. Ainda com a Sabesp, está em avaliação o transporte de água de reúso.

Além disso, tendo como referência o transporte de insumos (areia, pedra, cimento, entulhos) realizado no Rio Sena, em Paris, o DH fez um levantamento das concreteiras na capital com material destinado às usinas de produção de concreto. Constatou-se que 44 têm potencial para utilização do transporte hidroviário, por estarem a menos de 500 metros do rio.

Em relação ao abastecimento, a intenção é aproveitar algo raro na região metropolitana da São Paulo (quando comparado em termos mundiais): a possibilidade de conexão trimodal (rodoviária, ferroviária e hidroviária). Há três pontos potenciais para isso na Grande São Paulo - Carapicuíba, São Bernardo do Campo e Guarulhos. Neles poderão ser instaladas centrais de abastecimento (tipo Ceagesp) e de logística, como ocorre em outros países.

A estimativa preliminar é que a implementação de todo o Projeto Hidroanel fique em R$ 2 bilhões. Mas a avaliação técnico-econômico-ambiental deverá fornecer valor mais preciso. Do montante estimado, cerca de R$ 1,3 bilhão é o custo do canal, entre os reservatórios Billings e Taiaçupeba. Os R$ 700 milhões restantes se referem às obras de infraestrutura, que permitirão ampliar a navegação dos atuais 41 para aproximadamente 150 km, antes mesmo de se ter o canal. O prazo previsto para a conclusão do hidroanel é de 10 a 15 anos.

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