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Energia solar é assunto de destaque da Unesp Ciência



03/08/2012

A tecnologia fotovoltaica começa a ser competitiva no Brasil, em parte porque a eletricidade aqui é muito cara. Especialistas apontam como obstáculo a ausência de uma cadeia produtiva nacional para o setor, o que demanda investimentos em pesquisa e inovação.

Energia solar é o tema da reportagem de capa da edição de agosto da revista Unesp Ciência. Proveniente de uma fonte limpa e inesgotável, ela está se tornando economicamente competitiva no Brasil por duas razões: de um lado, o preço da tecnologia fotovoltaica no mercado internacional caiu muito nos últimos anos; de outro, a energia elétrica no país é uma das mais caras do mundo.

Para especialistas ouvidos pela reportagem, o cenário atual permite ao governo brasileiro aproveitar esta oportunidade para diversificar sua matriz energética de forma limpa e sustentável. Mas eles alertam que, diferentemente dos países onde a energia solar se desenvolveu de forma expressiva, como Alemanha e Espanha, o Brasil ficou para trás na área tecnológica, sendo hoje totalmente dependente de importações. O desafio é criar uma cadeia produtiva para o setor. Para superá-lo, será preciso investir em pesquisa tecnológica e inovação.

O governo parece estar se dando conta do potencial fotovoltaico nacional. Alguns projetos de pesquisa financiados pela BNDES e pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) são exemplo disso. O primeiro marco regulatório para o setor, publicado pela Aneel em abril passado, também indica que é chegada a hora da energia solar no Brasil. A resolução normativa 482 regulamenta a chamada "geração fotovoltaica distribuída conectada à rede". Trocando em miúdos, a novidade permitirá não apenas reduzir - ou até mesmo zerar - o valor da conta de luz como também inverter seu sinal, gerando créditos para quem instalar um sistema de geração solar no telhado de casa.

Em todos os países em que a energia solar avançou de forma significativa, isso aconteceu muito mais pela integração da geração distribuída à rede elétrica do que pela produção centralizada em usinas (ou fazendas) solares. E essa é a tendência também no Brasil, segundo um estudo divulgado no mês passado pela Empresa de Pesquisas Energéticas (EPE), um braço do Ministério das Minas e Energia.

A grande vantagem da geração distribuída está no fato de ela poder se dar dentro das cidades, onde justamente está a maior demanda por energia elétrica. Investir na produção fotovoltaica descentralizada é diminuir a necessidade de trazer eletricidade de cada vez mais longe, tendência que só tende a aumentar no futuro. A demanda brasileira por energia elétrica cresce 4% ano e 70% de nosso potencial hidrelétrico está na Amazônia.

O grande desafio nos próximos anos é criar uma indústria nacional autônoma, que possa produzir no país os painéis fotovoltaicos e demais equipamentos necessários para o desenvolvimento da energia solar no país. Na Unesp em Sorocaba, um engenheiro elétrico desenvolveu o primeiro protótipo de um inversor, peça-chave para a geração distribuída conectada à rede. Em Campinas, pesquisadores tentam purificar o silício usado nas células solares por meio de um método mais econômico. Em Bauru, um grupo tenta criar um painel solar sem silício, que além de mais barato consome menos energia. Não faltam pesquisadores buscando soluções. Tampouco sol, que brilha praticamente o ano todo de norte a sul do país. Resta saber se o país conseguirá aproveitar esta chance.

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