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Dificuldade para interpretar textos é tema de debate



26/01/2011

Ler e não conseguir entender; ter dificuldade de comentar sobre um artigo, um livro, uma citação; não conseguir exprimir opinião sobre filmes, músicas e obras de arte em geral – são problemas que os cientistas que estudam a linguagem e o processo de aprendizado têm detectado com cada vez mais frequência entre os jovens estudantes. O tema motivou a criação do Colóquio Internacional de Texto e Discurso, que será realizado de 16 a 20 de maio, na Faculdade de Ciências e Letras (FCL), Câmpus de Assis.

Estudiosos que queiram apresentar trabalhos durante o encontro têm até o dia 31 de janeiro para enviar resumos. O evento terá a participação de pesquisadores do Brasil e do exterior, como Dominique Maingueneau, professor de linguística na Universidade de Paris XII, na França. Além da palestra, o especialista ministrará um curso com carga horária de 16 horas, em português.

“Em nossos intercâmbios, percebemos que a preocupação com a dificuldade de interpretação textual dos jovens também é alvo de investigações em diferentes países da Europa”, afirma a linguista Eunice Lopes de Souza Toledo, professora da FCL e coordenadora do colóquio. O texto, nesse caso, não se limita à palavra escrita, mas engloba discursos que fazem parte do cotidiano, como música, cinema, televisão, jornal, revista, literatura e legislações.

Mesmo após um vestibular competitivo, muitos ingressantes na graduação das universidades brasileiras ainda apresentam deficiências educacionais que atrapalham o acompanhamento das disciplinas da faculdade, afirma a pesquisadora. Para Eunice, a educação básica precisa criar instrumentos para ir além da alfabetização e tornar os estudantes letrados. Nessa condição, explica a professora, o indivíduo é capaz de cruzar informações e pensar sobre elas de maneira crítica.

Ao debater a questão, o evento visa aprimorar a formação dos graduandos da área, fortalecer a pesquisa na pós-graduação sobre o tema e permitir que educadores reflitam sobre métodos de ensino. “Sabemos da dificuldade que os professores dos ensinos fundamental e médio têm em conseguir licenças para acompanhar eventos científicos, um problema grave para a formação continuada desses profissionais”, afirma Eunice. “Mas essa é uma discussão fundamental para quem lida com esses jovens na rede básica.”

Exceções
As “Gerações Y” e “Z”, como a sociologia trata os que nasceram nas décadas de 80 e 90, respectivamente, recebem informação em excesso. Esse é um dos fatores que os estudiosos do assunto apontam como causa para a falta de letramento, mas não o único. O desinteresse do jovem pela escola, a incapacidade dos estabelecimentos de ensino de incorporar novas linguagens e o dinamismo da sociedade atual também são citados como razões.

“As exceções se destacam pelo contraste. São pessoas que têm uma facilidade incrível para lidar com múltiplas informações e que, desde cedo, apresentam bom desempenho na escola”, afirma a professora. “Quando seguem carreira acadêmica, alcançam maturidade intelectual em uma velocidade impressionante”. Segundo ela, a diminuição do tempo de formação de pesquisadores em nível de mestrado e doutorado é um reflexo desse novo perfil.

Para participar do colóquio, basta acessar o endereço http://www.fundepe.com/novo/cited/. A taxa de inscrição varia de R$ 25 a R$ 100, e os descontos são maiores até o fim deste mês. No site, também é possível obter a programação completa e informações sobre hospedagem na cidade de Assis.

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