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Crianças, livros e arte se reúnem em projeto do MAC



30/04/2014

Fonte: Juliana Pinheiro Prado / USP
 
 “Se encostar nisso, desmonta?”, “Ele se esqueceu de colocar a rede!”, “Acho que dá para fazer um tapete disso.”, “É pano? – [pausa e mão na tela] – É tinta!”, “Eu acho que ele usou um canudinho para pintar.”
 
É neste clima de descontração e espontaneidade que a atividade História da Arte para crianças: entre livros e obras acontece no Museu de Arte Contemporânea (MAC) da USP, prédio Nova Sede. Uma vez por mês, aos domingos, a educadora Renata Sant’Anna coordena uma conversa com os pequenos visitantes.

O programa surgiu em decorrência de uma coleção de livros que o MAC passou a publicar em 1992. Chamada Olharte e lançada pela Edições Paulinas, a coletânea tinha a função de aproximar o público infantil do acervo do museu por meio de histórias especialmente pensadas para as crianças.

Renata conta que a coleção teve quatros títulos lançados, ganhou dois prêmios Jabuti, mas não prosseguiu sendo publicada. Para, de alguma maneira, dar continuidade ao trabalho, a educadora pensou em um meio de atrelar as histórias presentes nos livros às obras situadas no museu, de modo a unir o prazer de ler ao prazer de ver.

Há cerca de um ano e meio, Renata iniciou a atividade, que ganhou o nome de História da Arte para crianças. A professora, que também é autora de livros de arte para crianças, observa que além da coleção do MAC, encontrou diversos bons livros sobre a temática que traziam artistas cujas obras fazem parte do acervo do museu. “Temos livros lindos. Eu fiz uma atividade sobre o Volpi, com o livro da Ana Maria Machado, que é maravilhoso. Depois fiz uma do José Antonio da Silva, com o livro que ele mesmo escreveu sobre a vida dele, em versos, que é muito interessante”. Deste modo, segunda ela, a visita é enriquecida incorporando mais conhecimento ao contato com a obra. E isso vem através da leitura. Além disso, completa, o livro tem a vantagem de ser transportado para além dos muros do museu, ao contrário da obra de arte, que em geral fica sempre retida ali.

Entre livros e obras

A depender do grupo visitante, Renata percebe se eles estão mais interessados em observar as obras ou em ouvir as histórias. Assim, a narração pode ficar para o início ou para o final da observação, sempre de modo a estimular a curiosidade, promovendo o interesse da criança pelas histórias da arte, dos artistas e de suas obras.

A coordenadora da atividade diz que é um desafio estar trabalhando hoje no museu um tempo diferente de observação, que as crianças perderam. “Tudo é muito rápido, a imagem é muito rápida, sem uma compreensão exata do que é uma imagem, do que é uma obra de arte, do tempo que ela exige para se assimilar aquilo. E a leitura é a mesma coisa”, comenta.

Na segunda metade do encontro, sempre é proposta uma atividade para conectar a relação entre texto e imagem. Quando tem oportunidade e a editora disponibiliza, Renata ainda sorteia um livro.

Para montar a programação do último domingo, dia 27 de abril, por conta da proximidade da Copa, Renata valeu-se de algumas obras presentes no MAC Nova Sede que falam do universo do futebol, como as de Felipe Barbosa, Leda Catunda, José Roberto Aguilar e Ciro Cozzolino. O livro utilizado foi Futebol: arte dos pés a cabeça, de sua autoria, e por meio dele a educadora pôde ampliar um pouco o horizonte sobre os artistas que abordaram o futebol em suas obras e pesquisas.

Finalizando o encontro, a construção de uma bandeira do futebol mobilizou crianças e adultos em torno das mesas com cola, papel colorido e tesouras. Por ser uma atividade lúdica e interativa, mesmo crianças que não acompanharam a exposição juntaram-se ao grupo na confecção.

O próximo História da Arte para crianças: entre livros e obras está marcado para o dia 18 de maio, quando será utilizada a obra Poemóbiles, de Julio Plaza. No dia, será proposta às crianças a criação dos seus próprios poemas.

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