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3° dia do Seminário de Competitividade



20/02/2008

Nesta quarta-feira (20/02) e terceiro dia do Seminário “Uma agenda de competitividade para a Indústria Paulista”, organizado pela Secretaria de Desenvolvimento do Estado São Paulo, a FIESP sediou os workshops das indústrias de Petróleo e Gás, Petroquímica, Transformados Plásticos e Defensivos Agrícolas.

O consultor José Augusto Ruas abriu a segunda série de workshops de quarta-feira, expondo o resultado de seus estudos sobre a indústria de Petróleo e Gás Natural paulista. Em sua apresentação foi ressaltada a importância do estímulo às ofertas de soluções energéticas para as atividades da indústria, “é necessário criar uma interdependência entre a política industrial e a política energética”, explicou Ruas. Para isso ele propôs a criação de um conselho composto pelas Secretarias de Desenvolvimento, Saneamento e Energia ; e Meio Ambiente, a fim de criar políticas industriais e energéticas.

José Augusto sugeriu ainda a criação de uma Agência de Capacitação e Promoção de P&D para identificar ações e prioridades, e aproximação entre ensino e pesquisa. Neste ponto o consultor fez uma ressalva: “Chamo a atenção da importância da participação do IPT, da Secretaria de Desenvolvimento e da Secretaria de Saneamento e Energia neste setor que traz um impacto muito grande”.

Logo após a conclusão da apresentação dos estudos de competitividade da Indústria de Petróleo e Gás, o workshop foi aberto para perguntas dos empresários presentes. Ao ser indagado se existe a possibilidade do Parque Tecnológico de São José dos Campos sediar pesquisas nessa área, José Augusto Ruas respondeu claramente, “o parque tecnológico de São Jose dos Campos tem uma capacitação metal-mecânica que não é desprezível, acredito que seja possível”.

O pesquisador do Núcleo de Economia Agrícola do Instituto de Economia da Unicamp, José Maria Silveira deu continuação ao seminário de hoje com o tem da Indústria Petroquímica. O ponto inicial apresentado pelo pesquisador foi a problemática de como conciliar a política ambiental e a política de expansão, considerado por ele um ponto muito importante.

Antes de apresentar os problemas e as propostas adquiridas em seu estudo sobre a competitividade da indústria petroquímica paulista, José Maria Silveira, colocou são Paulo como um alvo privilegiado de políticas por possuir novas frentes de investimento para resolver gargalos de acesso a matérias-primas, e por estar na direção certa na questão do licenciamento ambiental, “o governo do Estado cria programas na direção das sugestões de política desse estudo”.

O uso das energias renováveis foi colocado pelo professor como o ponto principal, o “horizonte tecnológico” das perspectivas do setor. “É papel do Estado integrar esse horizonte com as empresas petroquímicas de São Paulo”, completou José Maria Silveira.

A indústria de Transformados Plásticos foi caracterizada pela pesquisadora do Núcleo de Economia Industrial e da Tecnologia da UNICAMP, Maria Carolina de Souza, como um setor de pequenas empresas, tanto no Brasil quanto no mundo, um “oligopólio atomizado”, nas palavras da pesquisadora, por possuir algumas empresas líderes. Uma das principais vantagens competitivas do estado de São Paulo nesta área é a presença de muitos elos de produção dessa cadeia: universidades, institutos públicos de pesquisas voltadas para o segmento e escolas técnicas.

Um ponto de bastante atenção no workshop foi a necessidade de estimular a pesquisa bioplástica e de nanotecnologia (as novas tendências do setor). O investimento em P&D com o apoio da FAPESP e a criação de novos cursos no setor foram outras propostas da pesquisadora. Além disso, Maria Carolina de Souza completou: “o financiamento para compra de máquinas atualizadas tecnologicamente, utilizando a caixa econômica, via Secretaria de Desenvolvimento, trará vias de financiamento de acesso facilitado”.

“A agricultura moderna do estado de São Paulo foi um fator importante na especialização da indústria paulista em defensivos agrícolas”, disse no último workshop do dia a pesquisadora e consultora do seminário, Lia Hasenclever. Uma forte característica do setor apresentada pela pesquisadora foi o impacto na saúde e no meio ambiente que a indústria pode trazer. Amenizar esses impactos, segundo ela, aumenta o custo de pesquisa, mas da mesma forma expande a possibilidade de inovação. Frisou ainda a necessidade de resolução desses impactos negativos da indústria sobre a saúde e o meio ambiente, uma vez que isso interfere na “avaliação e interesse de acionistas e consumidores”.

O Estado de São Paulo tem uma grande participação nesse setor, representa 60% do comércio exterior brasileiro de defensivos agrícolas e mais de 50% de empregos da indústria no país. A vantagem do estado está na qualificação da mão-de-obra e nas instituições de pesquisa voltadas à área, mas ainda falta infra-estrutura tecnológica. Dentre as sugestões de ações que Lia Hasenclever apresentou está a diminuição na burocracia para regulamentação dessas empresas, o combate a práticas de dumping, e a revisão e equiparação dos benefícios tributários entre os estados, “se outro estado, como a Bahia por exemplo, tem menor tributação, São Paulo tem que pelo menos se equiparar”, completou a pesquisadora.

O Seminário “Uma agenda de competitividade para a Indústria Paulista” continua suas atividades durante toda esta semana. Nesta quinta-feira, dia 21/02, serão abordados os setores de máquina-ferramenta, implementos agrícolas e bens de capital sob encomenda para geração.

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